Vesperais Líricas

Óperas do ano de inauguração do

Teatro Municipal de São Paulo

11 de Setembro de 1911

Infelizmente o ano de 2011 foi o derradeiro para uma das séries mais importantes e longevas do Theatro Municipal de São Paulo. Com 31 anos de atividade ininterruptos, no ano do centenário do Municipal, a série foi interrompida no meio do ano, sendo assim não foi possível completarmos o programa proposto para a temporada, ficando de fora a ópera da inauguracão, Hamlet, que seria apresentada no mês do aniversário, Setembro, O Guarany, que embora não tenha sido apresentada em 1911, fez parte da primeira récita de Hamlet, com a sua Protofonia, nossa velha conhecida da “Hora do Brasil”, para amenizar os ânimos exaltados dos nacionalistas que estavam inconformados de que o teatro fosse inaugurado com uma ópera francesa e não com uma obra do paulista campineiro Carlos Gomes – o que seria muito justo. Ficou de fora também Madame Butterfly e La Bohème, que fizeram parte da temporada inaugural do TMSP. No mês de Dezembro seria comemorado o centenário de nascimento do compositor ítalo americano Gian Carlo Menotti.
As razões apresentadas pela direção do Municipal para o encerramento de uma programação que já fazia parte da programacão cultural da cidade há tantos anos e que revelou praticamente todos os cantores brasileiros que hoje fazem parte de nossas temporadas líricas ou de temporadas mundo afora – Paulo Szot, Fernando Portari, Denise de Freitas, Marcello Vannucci, David Marcondes, Rosana Lamosa, Adriana Cliss, Luciana Bueno, só para citar alguns nomes mais recentes – foi a de que não havia verba (um orçamento de menos de R$ 200.000,00 para o ano todo) e de que não haviam técnicos, maquinistas, aderecistas ou pessoal de luz, para os espetáculos do Municipal e das Vesperais… Até hoje o os técnicos do teatro, incluindo o Pelé, quando me encontram perguntam porque as Vesperais pararam. Eu também gostaria de saber, já que era uma série formadora tanto de artistas como de público, dentre tantos outros fatores.
Só para constar, a nossa última ópera, Barbeiro de Sevilha, teve casa lotada nas suas duas récitas – na Sala Olido, terça feira às 18h30 e no Teatro João Caetano, quinta feira às 20h00, horários e locais difíceis e mesmo assim, teatros cheios!!
Enfim, para mim, que participou dessa série desde a sua formação em 1980, foi e é uma tristeza muito grande a sua interrupção. Para os cantores, meus colegas, muitos em início de carreira e que precisam de prática de palco, o final dessa verdadeira escola foi decepcionante e uma verdadeira ducha de água fria, porque era praticamente o único lugar onde podiam cantar e experimentar um papel. Agora com essa predominância de estrangeiros nos nossos palcos brasileiros, ou paulistanos, ficou muito difícil ter um lugar praticar. Por outro lado, o público que frequentava a série, um público formado na sua maioria por pessoas que jamais iriam ao teatro assistir uma ópera ser ter tido um primeiro contato com essa arte fantástica ao vivo num formato mais leve, didático e mais próximo, por pessoas que não tinham recursos para comprar ingressos, por jovens, adolescentes, por idosos, enfim…todos perderam muito.
Quero deixar muito claro aqui que não tenho nenhum tipo de objeção a termos bons cantores estrangeiros em nossos palcos, muito pelo contrário, podemos aprender muito com eles – observa-los, ouvi-los é sempre uma grande escola, mas nossos cantores precisam de um local, algo, um palco onde possam pisar, cantar, atuar – a nossa profissão não é uma profissão de aprendizado teórico, é e sempre será na prática que aprendemos.

PROGRAMAÇÃO

Março

Manon Lescaut, Puccini

Manon – Elaine Moraes

Des Grieux- Miguel Geraldi

Lescaut- Daniel Lee

Geronte- Jonas Mendes

Edmondo- Dimas do Carmo

Piano – Karin Uzun

Direção cênica, cenários e concepção – Eloisa Baldin

Abril

Rigoletto, Verdi

Rigoletto- David Marcondes

Duque de Mantua- Marcello Vannucci

Gilda- Elizabeth Ratzersdorf

Maddalena- Keila Moraes

Sparafucille- Carlos Eduardo Marcos

Piano – Marcos Aragoni

Direção cênica, cenários e concepção – Eloisa Baldin

Maio

Don Pasquale, Donizetti

Don Pasquale- Claudio Guimarães

Norina- Marivone Caetano

Dr. Malatesta – Sandro Bodilon

Ernesto- Walter Fawcett

Piano – Cecília Moita

Direção Cênica, cenários e concepção – João Malatian

Junho

Il Barbiere di Siviglia, Rossini

Rosina- Eloisa Baldin

Conde de Almaviva- Sérgio Wernec

Figaro- Daniel Lee

Don Bartolo- Leonardo Pace

Don Basilio- Fernando Gazoni

Berta- Rosana Barakat

Soldado e Tabelião – Jonas Mendes

“Viznha” (papel falado) – Patrícia Venâncio

Piano – Karin Uzun

Direção cênica, cenários e concepção – Eloisa Baldin e Patrícia Venâncio

Agosto

Il Guarany, Carlos Gomes

Pery-  Rinaldo Leone

Cecy- Adriana Magalhães

Gonzales- Jang Ho Joo

Don Antonio- Jonas Mendes

Cacique- Orlando Paes

Piano – Marcos Aragoni

Direção Cênica, cenários e concepção – Eloisa Baldin

Setembro

Hamlet, Thomas

Hamlet- Marcio Marangon

Ofelia- Berenice Barreira

Gertrudes- Laura Aimbiré

Claudio- Marcos Ribeiro

Laerte – Luciano Silveira

Espectro – Jonas Mendes

Piano – Marizilda Hein

Direção cênica, cenários e concepção – João Malatian

Outubro

Madama Butterfly, Puccini

Butterfly-Monique Conrado

Pinkerton- Paulo Queiroz

Suzuki – Lidia Schäffer

Sharpless- Luiz Orefice

Goro – Sergio Sagica

Piano – Marizilda Hein

Direção Cênica, cenários e concepção – Eloisa Baldin

Novembro

La Bohème, Puccini

Mimi- Elaine Casehr

Rodolfo –  Eduardo Trindade

Marcello –  Marcio Marangon

Musetta- Milena Tarasiuk

Schaunard- Diógenes Gomes

Colline- Carlos Eduardo Marcos

Piano – Karin Uzun

Direção Cênica, cenários e concepção – Eloisa Baldin

Dezembro

Amahl e os Visitantes da Noite , Menotti

(100 anos de nascimento de Gian Carlo Menotti)

Amahl – Dênia Campos

A Mãe – Eloisa Baldin

Rei Gaspar – Paulo Queiroz

Rei Melchior – Sandro Bodilon

Rei Baltazar – Carlos Eduardo Marcos

Pagem – Jonas Mendes

Piano – Marizilda Hein

Orquestra de Câmara

Direção Cênica, cenários e concepção – João Malatian

One thought on “Vesperais Líricas”

  1. Vesperais! Saudades delas! Desde o início um momento para alimentar a alma! Era assim que eu me referia a elas quando ao invés de ir almoçar me dirigia ao Teatro João Caetano. Podia fugir do trabalho e almoçar lindas vozes! Conhecer repertórios, compositores e mais artistas!
    Muita gente passou a conhecer óperas indo a esses encontros! Muita gente realimentava o gosto pelo gênero nesses encontros!
    Gratuitos e com artistas de nossos corpos estáveis! Momentos únicos!
    VOLTEM POR FAVOR!

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